Registro fotográfico da multidão no entorno do Monumento (1953).
No domingo, dia 11 de outubro de 1953, aconteceu a segunda edição da Romaria de Fátima em Cruz Alta. A procissão constituiu-se em um notável acontecimento religioso: a imponência da multidão era tamanha que, quando a frente da procissão atingia o Monumento, o restante ainda se movimentava no canto da Praça da Matriz.
O dia foi cheio de sol e "sorrisos da natureza". O pregador, antes de embarcar, proferiu: “Hoje já choveu. Nossa Senhora mostrou que quem manda no tempo é Deus”.
Cerca de trinta mil pessoas estiveram em redor do Monumento em prece e penitência. Serra e Missões transbordaram em Cruz Alta; todo o Estado estava representado, de Porto Alegre a Erechim, além de diversas cidades de Santa Catarina.
Após as festividades religiosas, o povo aproveitou as tendas armadas com churrasco e bebidas. Embora tenha havido desafios com a quantidade de carne devido à multidão inesperada, a festa rendeu bem, ajudando a paróquia a abater dívidas da construção.
A novena desdobrou-se com esplendor. O Padre Martin Olive, dominicano francês, ensinou o povo a meditar nos mistérios da Redenção e deu maior amplitude ao Rosário. Destacou-se a irradiação do Tríduo dos Doentes, feita diretamente dos hospitais locais, confortando aqueles que estavam no leito do sofrimento.
Apesar da incerteza causada pelas chuvas torrenciais dos dias anteriores, a noite abriu-se em sol. A procissão foi um espetáculo de milhares de velas, descrito pelo locutor Francisco Puppo como um "rio luminoso entrando na cidade".
O ato foi transmitido por uma equipe volante montada em um Jipe do 17, cedido pelo Coronel Felicíssimo Azevedo Avellini, com acompanhamento da banda do quartel. O andor foi preparado pelas alunas do Colégio Santíssima Trindade.
As missas iniciaram às 5h da madrugada. Às 8h, teve início a procissão de retorno da imagem ao Monumento, seguida pelos festejos populares no Largo de Fátima. No Monumento, o Pe. Pedro Luiz rendeu homenagem ao Pe. Abílio Sponchiado, e o Padre Didonet falou em nome do Bispo Diocesano.
Fonte: Jornal Diário Serrano, edições de 3, 6, 9 e 12 de outubro de 1953.